Ready Player One / Jogador Número 1

March 26th, 2012
Quem leu a última edição da Jogos 80 (na página 79) viu minha resenha do livro Ready Player One, do Ernest Cline.

É ficção científica imperdível para quem gosta de videogames clássicos, e da cultura pop dos anos 1980 como um todo! Para minha surpresa o livro acabou de ser lançado em português brasileiro - vale MUITO a pena!

http://www.submarino.com.br/produto/1/24069947/jogador+numero+1?franq=184655

Não existe notebook de marca

December 15th, 2011

“Marca” de notebook é ilusão. Relevantes só existem três fabricantes (Original Equipment Manufacturer, OEM) de notebooks no mundo, todos na China. Seu notebook “de marca” da Acer, Compaq, Toshiba, Apple, Dell ou Sony foi feito pela Quanta, Compal ou Wistron (marcas de que você nunca ouviu falar) na mesma linha de montagem e pelos mesmos funcionários que produzem os Positivo, CCE e Xing-Ling baratinhos.

Existem linhas de produtos mais caros e mais baratos, mas o controle de qualidade é basicamente o mesmo. A única coisa que muda é a boa-vontade do revendedor final (que cola o adesivo com a marca dele no notebook chineca para satisfazer os compradores “exigentes”) em trocar quando dá defeito, porque problema TODOS dão (como qualquer sistema complexo dá, leia “Normal Accidents”, do Charles Perrow, para entender por quê).

Veja nesse link a diferença entre a taxa projetada de defeito em 3 anos dos notebooks baratos (20.6%) e dos caros (18.1%): não dá 15% a mais de confiabilidade. Então não me parece fazer muito sentido pagar o dobro ou mais por um notebook de marca achando “que dá menos efeito”, uma diferença pequena assim só faz sentido para uma empresa que vai comprar um monte de computadores, pro usuário final, que só compra um, é irrelevante (a Lei dos Grandes Números não se aplica).

Pagar a mais por um bom suporte (como o da Dell) até faz sentido para algumas pessoas, mas eu prefiro comprar um notebook barato mas muito mais poderoso a comprar um fraco de marca só porque *teoricamente* a assistência técnica é melhor (mesmo porque marca não garante assistência técnica decente). Um CCE i7 com 8GB de RAM custa R$ 1500, enquanto um Vaio i3 com 2GB custa R$1900, e são exatamente da mesma linha, só muda o nome, se puser um adesivo em cima da marca ninguém diferencia um do outro (eu fiz esse teste na loja).

Comprar um notebook caro por causa de uma característica específica (hardware de vídeo ou “ser Apple”) eu entendo. Comprar um caro só por medo do barato “dar defeito”, é bobagem.

Minha participação no Castálio Podcast

April 25th, 2011

Gravei com o grande amigo Og Maciel um podcast que foi publicado recentemente. Nas palavras do Og:

Neste último episódio tive um bate-papo super divertido com o Murilo Queiroz, sobre “Em Busca dos Tesouros“, um joguinho de computador feito por um garoto Brasileiro de 16 anos há mais de 20 anos, e como que um passeio por um museu em Londres foi o catalisador de uma nova amizade. Também conversamos sobre microcomputadores como o TK-85, ZX-81 e open source nos anos 80!

http://omnilandia.blogspot.com/2005_01_01_archive.html

Kinect MAME: Gladiator (Taito, 1986)

January 5th, 2011

Desde a primeira vez em que se falou do Kinect (que na época se chamava “Project Natal”) eu fiquei empolgadíssimo com a possibilidade de ter uma câmera 3D de baixo custo em casa. Quando escrevi o artigo “Um Cientista explica o Kinect” eu não fazia idéia da repercussão que teria, com mais de 20.000 pageviews é de longe o texto mais popular que eu já escrevi (e o que me deixou na maior saia justa, depois que o próprio Alex Kipman, “pai do Kinect”, me apontou um erro grave!)

Nesse Natal tive um presentão: ganhei uma Xbox 360 com Kinect e vários jogos, presentes de um monte de amigos liderados pelo insano Marco Lazzeri que combinaram tudo às escondidas e me fizeram uma surpresa espetacular! :-)

Fiquei doido para dependurar o Kinect no PC e ver o que eu conseguiria fazer, mas faltava uma fonte (o Kinect vendido junto com a Xbox não vem com fonte, porque ela não é necessária para ligá-lo na nova versão do console). Quando comentei isso o Isaías Oliveira me emprestou a dele, e sem mais desculpas fui obrigado a tentar fazer algum hack divertido usando o Kinect!

Escolhi emular um jogo de fliperama antigo, que foi um dos meus preferidos quando era criança: Gladiator, da Taito (1986). A escolha não foi difícil: como vocês vão notar os movimentos do jogo são facilmente mapeáveis para movimentos que você faria com o corpo. detectáveis pelo Kinect.

A única dificuldade séria que tive foi porque eu queria emular o jogo usando o M.A.M.E., mas não conseguia integrá-lo às bibliotecas que usei de jeito nenhum. O problema é que o M.A.M.E. usa uma forma diferente de leitura do teclado, joystick e mouse, que não é compatível. Quem resolveu o problema foi o amigo Vinícius Lopes, que me passou uma versão customizada do M.A.M.E. compilada por ele que funcionou redondinho.

O resultado, obtido depois de umas 4 cervejas e algum malabarismo para conseguir espaço, vocês conferem aqui:

Kinect MAME: Gladiator (Taito, 1986) by muriloq

Advisory Board da Lifeboat Foundation

November 8th, 2010

Entrei para a Robotics/AI Advisory Board da Lifeboat Foundation:

The Lifeboat Foundation is developing a world-class think tank with a rich cognitive diversity of philosophers, economists, biologists, nanotechnologists, AI researchers, educators, policy experts, engineers, lawyers, ethicists, futurists, neuroscientists, physicists, space experts, and other top thinkers to help humanity survive existential risksand possible misuse of increasingly powerful technologies, including genetic engineering, nanotechnology, and robotics/AI, as we move towards the Singularity.
http://lifeboat.com/ex/bios.murilo.saraiva.de.queiroz
Outros membros incluem o Ray Kurzweil, os vencedores do Prêmio Nobel Eric S. Maskin e Wole
Soyinka, o Ben Goertzel…
Eles tinham me convidado ano passado, mas enrolei porque sempre me lembrava da frase clássica do Groucho Marx: “I don’t want to belong to any club that will accept people like me as a member”!
Repetiram o convite semana passada e acabei aceitando.

Um Cientista Explica o Microsoft Kinect, Parte II

November 2nd, 2010

Depois que publiquei o primeiro artigo explicando o funcionamento do Kinect foi avisado pelo Alex Kipman que eu tinha cometido um engano grave, a respeito da tecnologia usada. Escrevi um novo artigo explicando a confusão toda… Leiam no Tecnologia Inteligente:

http://blog.vettalabs.com/2010/11/02/um-cientista-explica-o-microsoft-kinect-parte-ii/

Um cientista explica o Microsoft Kinetic

October 29th, 2010

Desde que saíram as primeiras notícias sobre o “Project Natal” eu tenho falado no ouvido de todo mundo de que ele seria espetacular.

Agora que vai ser lançado na semana que vem escrevi um longo artigo pro Tecnologia Inteligente explicando tintim-por-tintim porque ele é tão mais bacana que o resto:

Um cientista explica o Microsoft Kinetic

http://blog.vettalabs.com/2010/10/29/um-cientista-explica-o-microsoft-kinetic/

Nossas start-ups na final do Desafio Brasil 2010

September 22nd, 2010

Na semana passada participamos - com duas empresas diferentes! - da final nacional do Desafio Brasil 2010.  Foi uma experiência tão rica, divertida e interessante que eu não poderia deixar de comentar a respeito!

O Desafio Brasil 2010 é uma competição de start-ups (empresas em estágios iniciais de desenvolvimento) de base tecnológica, que é promovida desde 2006 pelo GVcepe (Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo). O Desafio tem o apoio de diversos parceiros, dentre eles a Intel e (a partir desse ano) a Microsoft, e em sua edição mais recente também realizou finais regionais em 8 cidades brasileiras, incluindo Belo Horizonte.

Leia mais no meu artigo para o Tecnologia Inteligente!

As Regras de Crocker

July 21st, 2010

A primeira vez em que li sobre as “regras de Crocker” foi num email do Joel Pitt para a lista do http://opencog.org/. Eu adorei a idéia, e como não achei nada sobre elas em português, resolvi postar uma tradução livre da página original da SL4:

Se você diz que opera pelas “regras de Crocker” isso significa que você permite que as outras pessoas otimizem suas mensagens para maximizar a informação transmitida, e não para maximizar a gentileza ou a educação delas com você.

As regras de Crocker significam que você toma para si total responsabilidade pela operação de sua própria mente - se você se ofende, é problema seu. Você permite que qualquer um o chame de imbecil e diga que está lhe fazendo um favor (e ela está mesmo fazendo isso - um dos maiores problemas com nossa cultura é que todo mundo tem medo de dizer que você está errado, ou eles acham que precisam enrolar antes de falar isso).

Duas pessoas operando pelas regras de Crocker deveriam ser capazes de comunicar toda a informação relevante na menor quantidade de tempo possível, sem se preocupar com convenções sociais ou rodeios. Obviamente, não dá para operar pelas regras de Crocker a menos que seja capaz desse tipo de disciplina.

Note que operar pelas regras de Crocker não significa que você pode insultar as pessoas; ela diz que as outras pessoas não precisam se preocupar com a possibilidade de insultar você. As regras de Crocker são uma disciplina, não um privilégio. Além disso, seguir as regras de Crocker não implica em reciprocidade: afinal elas são algo que você faz por si mesmo, para maximizar a informação recebida - não algo que você faz como um favor aos outros.

O nome “regras de Crocker” veio de Lee Daniel Crocker.

De onde veio o Dancing Demon!

June 30th, 2010

Dancing Demon é um programa escrito em 1980 para a linha de computadores (há muito extinta!) TRS-80. Clones nacionais do TRS-80 foram muito populares nos anos 1980 no Brasil; o mais famoso deles com certeza foi o CP-500, que era para uso profissional e justamente por isso bastante parrudo.

Propaganda do PROLOGICA CP-500

Propaganda do PROLOGICA CP-500

Usando o programa o usuário pode compor uma melodia simples, que é tocada pelo computador enquanto se exibe uma animação de coreografia de sapateado por um capetinha.

A coreografia também é customizável pelo usuário, e o resultado final, impressionante para a época, desperta alguma simpatia até hoje, como a gente pode ver nesse vídeo do original para TRS-80:

A versão de que mais gosto, particularmente, é um porte não-oficial para TRS-Color (a.k.a. CoCo), que eu costumava usar no meu CP-400 lá por volta de 1986:

Tela de abertura do Dancing Demon de TRS-Color

Tela de abertura do Dancing Demon de TRS-Color

Há algumas semanas o Kelly (que aliás foi quem reencontrou o Em Busca dos Tesouros!) portou o Dancing Demon para o ZX-81 (com direito a música via um processador de som instalado internamente por ele num TK-85, e a carga rápida a partir de fita cassete usando o OTLA), e ficou muito bacana:

Aproveitando o assunto, o Kelly também postou o manual do Dancing Demon original.

Como definir novas melodias e coreografias para o capetinha não é lá muito fácil, então a lembrança mais forte de quase todo mundo é da música exemplo que vem com o programa.

Lendo esse manual eu descobri que a música original do programa se chama “Ain’t She Sweet”, e é de 1927!

E, para completar, uma gravação da época, com direito às letras da música e uma coreografia que lembra muito o Dancing Demon original:

Depois dessa volta toda o que achei mais curioso é como teria sido difícil descobrir essas coisas alguns anos atrás… Apesar de conhecer o Dancing Demon desde os anos 1980 eu nunca tinha visto o manual dele, e mesmo se soubesse o nome da música conseguir uma gravação de época dela antes do Youtube seria quase impossível.

Como diz o Ricbit, “eu adoro viver no futuro”. :-)