Call of Duty 4: Modern Warfare
Terminei durante o fim-de-semana o Call of Duty 4… CARALHO. Eu não sou fã de First-Person Shooter. Não jogo Halo nem passei pela fase Counter Strike. Desprezo jogos multiplayer-only. Com um history mode bom o suficiente eu até supero meu asco e jogo, feliz da vida, como fiz, por exemplo, com Half-Life 2 (ou mesmo Doom 3) - mas o roteiro fraco é o que me faz não curtir Halo, por exemplo.
Não é de se estranhar, então, que eu tenha adorado Peter Jackson’s King Kong, e que eu goste muito da série Call of Duty. A narrativa do jogo é tão boa que em pouco tempo você *conhece* os personagens do seu pelotão. Você se preocupa com eles, se diverte quando fazem algo inusitado. E a trama que se desenrola ao longo de cada episódio é tão boa quanto a de qualquer filme de guerra, e em alguns casos, melhor. Eu achava que parte da culpa era a ambientação na Segunda Guerra mundial; o sujeito tem que ser bem incompetente para não conseguir fazer uma história dramática. E a suspensão de descrença é perfeita - especialmente depois que você assiste aos extras do DVD, com velhinhos veteranos contando histórias ainda mais fantásticas do as do jogo.

Isso me deixava com medo: o CoD 4 é “Modern Warfare”, o primeiro jogo da série contemporâneo. Você joga com os British commandos da S.A.S. (Special Air Service) ou com os U.S. Marine Corps, contra ultranacionalistas da ex-União Soviética e fundamentalistas religiosos islâmicos - inimigos tão bons quanto os nazistas da WWII. Os cenários são, principalmente, a Rússia e Bagdá (com uma fase sniper maravilhosa em Chernobyl, em 1985), mas o prólogo acontece num navio cargueiro durante uma tempestade (e o final da fase é algo que mostra a que o jogo veio, nos primeiros dez minutos).
O Lazzeri me avisou que no meio do jogo havia a cena mais impressionante que ele já tinha visto num videogame. Eu fui sabendo que viria algo GRANDE, e ainda assim arrepiei os cabelos da nuca. É dramático e chocante, e visualmente é fantástico. Falo mais no próximo parágrafo, mas contém spoilers, por isso está com letras brancas (selecione o texto para ler):
A fase se chama “Shock and Awe” - é o final da operação americana em Bagdá. Depois um combate frenético, seu pelotão está indo embora de helicóptero, quando o helicóptero de suporte (um Cobra) é abatido por um RPG. A piloto sobrevive, e você desce para buscá-la, e só têm dois minutos pra isso. Com ela nos ombros e tiros de AK-47 passando a centímetros da cabeça, você chega no helicóptero, que decola enquanto você ouve notícias sobre uma possível ameaça nuclear. Você respira aliviado depois do stress do resgate, e olha no horizonte o caos instaurado na cidade. E então vem o Shock and Awe: uma explosão nuclear. Enquanto o cogumelo sobe, a onda de choque destrói tudo no caminho, inclusive o seu helicóptero, que cai.
A cutscene fala do ataque nuclear, perpetrado num gesto suicida pelo líder separatista encurralado no palácio. Na tela, corre uma lista com centenas de nomes soldados mortos. No meio delas, você vê o nome do seu personagem. Alguns segundos depois, uma janela se abre e diz que você sobreviveu! A nova fase começa dentro dos destroços do helicóptero. Sua visão está turva com fuligem e sangue. Você consegue se arrastar para fora do helicóptero, lentamente. Caído no chão do lado de fora, torvelinhos de fumaça e poeira rodopiam na sua frente, enquanto você vê ao longe prédios incendiados ruírem com o próprio peso. Tudo é vermelho e amarelo, parecendo um pôr-do-sol em Marte (ou no Inferno). Você cambaleia por mais alguns metros, vendo a destruição, e por um momento pensa “putz, como é que vou sair daqui ?”. Com mais dois passo você cai morto no chão, e as informações por satélite incluem mais um Killed In Action na lista.
Tem um vídeo aqui, mas na resolução do YouTube não tem tanta graça: http://www.youtube.com/watch?v
E isso é a metade do jogo! Eu fiquei completamente embasbacado - e tão obcecado que terminei o jogo pouco depois. Um tour de force - havia muito tempo que não me sentia assim durante um jogo (ou filme, ou livro, ou algo que o valha).
October 26th, 2008 at 11:13 am
[...] Mas estou terrivelmente frustrado, porque fui achando que seria um Call of Duty 4: Modern Warfare baseado nessas premissas: esperava uma história espetacular, narrada com cutscenes e eventos bem [...]