Archive for the ‘Books’ Category

Ready Player One / Jogador Número 1

Monday, March 26th, 2012
Quem leu a última edição da Jogos 80 (na página 79) viu minha resenha do livro Ready Player One, do Ernest Cline.

É ficção científica imperdível para quem gosta de videogames clássicos, e da cultura pop dos anos 1980 como um todo! Para minha surpresa o livro acabou de ser lançado em português brasileiro - vale MUITO a pena!

http://www.submarino.com.br/produto/1/24069947/jogador+numero+1?franq=184655

Being or Nothingness: marketing viral bizarro?

Friday, September 26th, 2008

Hoje chegou no meu escritório um envelope branco. Pelos selos foi enviado da Suécia. Sem remetente, nada, só uma etiqueta PRIORITAIRE, meu nome e endereço (sem nenhum erro), e, no cantinho do envelope, escrito à mão, com esferográfica azul, a frase

Will tell you more when I return!.

Dentro, embalado em plástico bolha, tinha um livrinho branco, fino (21 páginas), capa dura, bem produzido, com uma ilustração do Escher na capa. O título é “Being or Nothingness” (referência a “Being and Nothingness”, em português Ser e o Nada: Ensaio de Ontologia Fenomenológica, de Sartre), mas o autor é um certo Joe K.

Numa etiqueta colada ao livro tem um aviso:

Warning! Please study the letter to Professor Hofstadter before you read the book. Good Luck!

Dentro, uma cartinha (numa folha separada, dobradinha) endereçada ao Prof. Douglas Hofstadter (autor de um dos meus livros preferidos, o fantástico Göedel, Escher, Bach: An Eternal Golden Braid). Um trecho da carta, assinada por “The Writer” (com aspas).

The manuscript has a reproduction of Escher’s “Drawing Hands” on its cover. Should the text resemble what its cover implies it to be, reading it could be dangerous. Had I sent a copy without comments, it might have caused harm.

E ainda nem abri o livro pra ver do que se trata. Na primeira página se lê

This letter was received recently from an anonymous sender. Could this be the first and last post-post-modern work ?

Greetings from R

Na contra-capa, tem uma outra carta, endereçada a uma editora de Nova Iorque chamada “Basic Books”, que reproduzo aqui:

Enclosed you will find a Swedish translation of Sir Arthur Conan Doyle’s long lost manuscript, “Being or Nothingness”, commonly referred to as “The Giant Rat of Sumatra”. Unfortunately, the English original vanished shortly after its appearance and we have, as of yet, not managed to retrieve it.

I send the book to you since it is oddly intertwined with Professor Douglas Hofstadter and his book “I am a strange loop” which will soon be released by your Publishing House.

“Being or Nothingness” contains a letter in English, directed to Professor Hofstadter, which might make you curious about the rest of the book. Should that be the case, you will need to have the book translated to English, twenty-one rather short pages.

I realize this is an unusual way of promoting a book project. If you are not interested, just throw the book away, but please send a short email to notify me of your disapproval.

With kind regards, “The Translator”

“Now in English”.

Ao que tudo indica, uma campanha de marketing viral. Mas se for isso mesmo, estou impressionado; uma coisa é mandar spam por email pra deus-e-todo-mundo, a outra é enviar um pacote caro e elaborado, da Suécia pro Brasil.

As outras teorias é que é um presente de alguém que conheço; pensei na Delphine, uma grande amiga francesa que mora em Berlim, ou nas minhas primas que moram na Suíça, mas não tem cara de nenhuma das duas.

O endereço é do escritório da Vetta Labs; provavelmente o endereço veio de lá. Pensei que pudesse ser um brinde do Google, porque esse ano participei como mentor do Google Summer of Code,mas a Leslie Hawthorn disse que só vão começar enviar as camisetas dia 29…

Alguém faz idéia do que é isso ? É claro que estou indo fazer a lição de casa Internet afora, mas gostaria de ouvir teorias… :-)

UPDATE: Acabei de ler o livro. É… completamente incompreensível. Não sei se de propósito ou o autor é esquizofrênico, ou então tem uma mensagem subliminar / vírus neurolingüístico feito o nam-shub de Enki :-). Eu estava com medo de ser uma bobagem mané feito O Segredo, mas é muuuuuito mais non-sense bizarro judaico-cristão-sherlock-holmes-hitchhiker’s-guide-to-the-galaxy que isso.

UPDATE: Alex Sato e Renato Marques sugeriram colocar a página com a palavra recortada em cima de alguma outra do livro, pra ver se o que aparece pelo vão faz sentido. Eu já tinha tentado isso, não percebi nada digno de nota.

A propósito A palavra recortada é nesse trecho, sobre o Hitchhiker’s Guide to the Galaxy (o recorte está marcado com XXX…XX)

The digit 4 refers to the four space-time-dimensions of existence, that is Being, and the digit 2 stands for the two dimensions of time, XXXXXXXXXXXXXXXXX, that is Nothingness. Hence, the computer’s answer to the questionof the meaning of life is “Being and Nothingness”.

UPDATE: Stefan (nos comentários abaixo) explicou como descobrir as palavras faltantes; basta colocar a carta atrás da página (duh!). As palavras, em inglês, são “fé e escolha”.

Pode ser ou tá difícil ? :-)

A Song of Ice and Fire em Português!

Wednesday, March 26th, 2008

ATUALIZAÇÃO: Dois anos e meio depois que escrevi esse post finalmente temos uma edição brasileira do primeiro volume, que como em Portugal foi chamado de “A Guerra dos Tronos”! Clique na imagem para comprar no Submarino:

Acabei de descobrir que a editora Saída de Emergência, de Portugal, está editando os livros da série A Song of Ice and Fire em português! O nome ficou “As Crónicas de Gelo e Fogo”, e já saíram três volumes:

- A Guerra dos Tronos (A Game of Thrones parte 1 ?)
- Muralha de Gelo (A Game of Thrones parte 2 ?)
- A Fúria dos Reis (A Clash of KIngs)

Do que já foi lançado faltam A Storm of Swords e A Feast for Crows.

O Submarino vende alguns dos volumes com frete grátis por meros R$ 27,64 (ambos em inglês):

A Storm of Swords A Game of Thrones

Eu li O Senhor dos Anéis pela primeira vez há quinze anos, quando não existia edição brasileira; li as portuguesas da Europa-América. É um pouco estranho, mas acho que até combina com a ambientação medieval. :-D.

Sobre A Song of Ice and Fire, reciclo um email que mandei para um amigo recentemente:

O Hobbit é literatura de fantasia para crianças.

Eu adoro o Senhor dos Anéis, mas tenho que admitir que é leeeeento e boooooring às vezes.

Eu também tinha perdido that loving feeling por fantasia há muito, muito tempo (a última coisa que tinha lido era o Senhor dos Anéis de novo, antes do lançamento do primeiro filme, e os audiobooks do Harry Potter, mas esses sem o menor compromisso, só por passa-tempo mesmo). Por causa disso eu entendo quem não tem o menor saco para livrinhos de fantasia comuns.

Agora A Song of Ice and Fire é OUTRA coisa, outro nível. muitíssimo mais bacana que qualquer outro livro de fantasia ou ficção científica de que já ouvi falar (incluindo aí O Senhor dos Anéis e todos os clássicos).

A Cyntia costuma definir ASoIaF como “O Senhor dos Anéis se tivesse sido escrito pelo Nelson Rodrigues”, e concordo completamente com ela.

A semelhança com o Senhor dos Anéis está no universo enorme e bem construído (mas com menos punheta lingüística) e nas centenas de personagens.

A semelhança com o Nelson Rodrigues vem das situações adultas e das doses cavalares de sexo, violência, conflitos pessoais e familiares e “a vida como ela é”.

Fora que há mais de uma dúzia de personagens principais, profundos, redondos, complexos,  e uma trama longa mas muitíssimo bem amarrada (está longe de terminar mas ao final de cada livro você tem uma sensação de completude, não é como final de Lost).

A cereja em cima são os maravilhosos audiobooks lidos pelo ator shakesperiano fodalhão Roy Dotrice, que faz 500 vozes diferentes rebuscadas ao ponto de pelo sotaque que ele faz você descobrir quem está falando (é muitíssimo melhor que os audiobooks mais “famosos” do mundo, os do Potter, que também são muito bem produzidos).

Velho, como eu gosto de você agora eu vou ficar no seu pé até você ler - eu prometo que se você não gostar eu peço desculpas em público e nunca mais recomendo nada a não ser que você peça. ASoIaF é bom ASSIM. :-)

P.S.: O problema de ler ASoIaF é que seus standards sobem demais - você fica repetindo pra tudo quanto é livro, filme ou série “ah, se fosse no A Song of Ice and Fire não seria bobo assim”. :-) A única exceção é Rome (da HBO), que a gente diz o contrário (”putz, até parece A Song of Ice and Fire!”). :-D

Bibliotecas transcendendo a matéria em Rainbows End

Tuesday, January 29th, 2008

http://contentcafe.btol.com/Jacket/Jacket.aspx?SysID=Jacket&CustID=Image&Return=1&Type=S&Key=0312856849

Estou lendo “Rainbows End”, do Vernor Vinge. Já li e ouvi muita coisa dele, mas curiosamente o único livro do Vinge que comprei, na Amazon, hard cover, 1st edition, foi o primeiro que ele colocou full-text na web, de graça.
Depois falo mais do livro (tem um monte de coisinhas interessantes apesar da história em si até agora não ter se mostrado lá essas coisas), o que queria comentar agora era sobre uma cena na biblioteca. Eu vivo brincando dizendo que “transcendi a matéria”, que me recuso a gastar espaço e dinheiro comprando livros, músicas e DVDs, já que consigo quase tudo que quero em formato eletrônico, de forma imediata, sem pagar nada nem ocupar espaço. Só iria servir como objeto de decoração ou pra impressionar os amigos - ambas funções completamente desprezíveis.

No Rainbows End (que se passa em por volta de 2040) há empresas especializadas em digitalizar bibliotecas inteiras. Como é caro e incrivelmente lento botar um chimpanzé pra pegar cada volume, colocar no scanner, digitalizar cada página, devolver o livro pro lugar e pegar o seguinte, usa-se uma técnica com custo computacional muitíssimo superior, mas bem interessante (com o efeito colateral de reduzir o espaço ocupado pelos livros):

Ahead of him, everything was empty bookcases, skeletons. Robert went to the end of the aisle and walked toward the noise. The air was a fog of floating paper dust. In the fourth aisle, the space between the bookcases was filled with a pulsing fabric tube. The monster worm was brightly lit from within. At the other end, almost twenty feet away, was the worm’s maw — the source of the noise. Indistinct in the swirling haze, Robert could see two white-suited figures, their jackets labeled “Huertas Data Rescue”. The two wore filter masks and head protectors. They might have been construction workers. In fact, this business was the ultimate in deconstruction: first one and then the other would pull books off the racks and toss them into the shredder’s maw. The maintenance labels made calm phrases of the horror: The raging maw was a “NaviCloud custom debinder”. The fabric tunnel that stretched out behind it was a “camera tunnel”. Robert flinched from the sight — and Epiphany randomly rewarded his gesture with imagery from within the monster: The shredded fragments of books and magazines flew down the tunnel like leaves in tornado, twisting and tumbling. The inside of the fabric was stitched with thousands of tiny cameras. The shreds were being photographed again and again, from every angle and orientation, till finally the torn leaves dropped into a bin just in front of Robert. Rescued data.

Eu ri sozinho quando li esse negócio. É eficiente, rápido, simples, e provavelmente ofensivo para quem ainda gosta de “cheiro de papel”, “encadernação”, essas coisas. Eu consigo imaginar gente dizendo que isso é como queimar livros em praça pública. O engraçado é que é exatamente o contrário - livros caros de papel servem elitizam o conhecimento (o que é mais democrático, uma Wikipedia acessível por qualquer um, em qualquer lugar, ou uma Enciclopédia Britânica em papel mofando na biblioteca de alguém ?).

É um daqueles assuntos em que nunca se convence ninguém; a opinião geral só muda quando os velhinhos morrem e alguém com a cabeça mais aberta toma o lugar deles. :-D