Archive for the ‘Games’ Category

Mega Drive roda jogos de celular ?

Wednesday, August 27th, 2008

A Tectoy anunciou recentemente um novo modelo do Mega Drive, o videogame de 16-bits da SEGA que fez sucesso nos anos 1990. Não quero entrar na discussão de se vale a pena ou não produzir um videogame com tecnologia obsoleta por preços não competitivos com as opções chinesas de baixíssima qualidade (que incluem até um portátil que roda jogos de Mega Drive, NES e Gameboy Color); o que me chamou a atenção foi outra coisa.

Primeiro modelo do Mega Drive

Como já é de praxe nos modelos da Tectoy, ao invés de usar cartuchos o Mega Drive 3 vem com vários jogos gravados na memória interna, incluindo os clássicos como Sonic, o maior sucesso da SEGA. O novo modelo, entretanto, tem uma novidade: jogos NOVOS, desenvolvidos pela Electronic Arts, de franquias famosas (e inéditas no Mega Drive original) como Fifa 2008™, Need for Speed Pro Street™, The Sims 2™ e Sim City™.

Novo Mega Drive 3 com 86 jogos

O interessante é que na verdade esses jogos são adaptações de jogos para celulares, cujas restrições de tamanho de tela e poder de processamento os aproximam de videogames da década passada. A maioria desses jogos é desenvolvida em uma versão reduzida da plataforma Java, a Java ME (Mobile Edition).

Resta, então a pergunta: como é que estão rodando jogos em Java num Mega Drive ? Discutindo com o José Agripino levantamos duas hipóteses:

  1. A EA reaproveitou os gráficos e a mecânica simplificada dos jogos de celular e os reimplementou em C / assembly 68K, com código específico pro Mega Drive
  2. A TecToy implementou uma máquina virtual Java (JVM) para o Mega Drive - lembrando que existe JVM para o Palm (cujo processador Motorla 68K é igual ao do MD) e que teoricamente seria possível uma implementação reduzida para o console.

Acabei pedindo a opinião do RicBit, que já inclusive desenvolveu jogos comerciais de Mega Drive para a própria TecToy (”Miniaturas Velozes”, incluído em modelos anteriores). Ele deu uma outra sugestão, que parece bem mais factível (e menos trabalhosa):

O novo Mega Drive não é implementado com circuitos integrados discretos (chips individuais), como os primeiros modelos. Ao invés disso, é usada uma arquitetura reconfigurável: um único chip enorme que pode ser programado para se comportar como qualquer circuito eletrônico (de tamanho / complexidade razoáveis). Isso é o que chamamos de FPGA (Field-Programmable Gate Array), e há hobbyistas mundo afora usando kits baseados nessas arquiteturas para reconstruir - integralmente - videogames, computadores e fliperamas clássicos.

Apple II implementado em FPGA

O RicBit comentou que a FPGA usada na implementação do Mega Drive (note que não é uma emulação no sentido tradicional da palavra uma vez que o comportamento lógico dos circuitos de hardware são reproduzidos) tem espaço vazio. A teoria dele é que usaram esse espaço vazio na FPGA para implementar parcialmente um celular - especificamente, a parte que suporta Java.

Seria simplesmente uma questão de comprar o design e colocá-lo na FPGA; possivelmente há pouca ou nenhuma comunicação entre a implementação do Mega Drive e do “celular”, só o necessário para carregar o jogo escolhido e iniciar um dos dois módulos.

Para ter certeza, só comprando um Mega Drive novo e metendo a mão na massa! :-) Alguém se habilita ? :-)

X-Plane: Simulador de Vôo para Adultos :-)

Monday, August 25th, 2008

O X-Plane é um simulador de vôo sofisticadíssimo, que leva em consideração inclusive a aerodinâmica do modelo 3D - o que permite que muita gente o use para prever como o veículo real vai se comportar (um usuário célebre é o legendário Burt Rutan, que chegou ao grande público com a SpaceShip One).

Vejam o “curso” de pilotagem de helicóptero:

http://forums.x-plane.org/index.php?showtopic=32267
http://www.x-plane.org/home/bretts/controls-gauges.jpg

E o tipo de modelo 3D realista construído no X-Plane:

http://store01.prostores.com/servlet/x-planestore/Detail?no=138

Verticopter - A real concept modeled in X-Plane
The Verticopter is a proof a concept designed by Garrow Aircraft. It is not a fictional aircraft.

Has all the advantages of a plane and of an Helicopter.

  • 1:5 Model Tested on a NASA field
  • Innovative design
  • 2 or 7 Seater

Get it now and own it before NASA or the US Air Force!

Live For Speed: Simulador de Corrida pra Adultos

Monday, April 7th, 2008

Não confunda Need For Speed (a.k.a. “níde”, arcade com jogabilidade simplificadíssima, pra crianças, tuneiros e fãs de prêi dois em geral) com Live For Speed, um simulador para tarados por simulação realista anal-retentive (do tipo que deixa você fazer punta-taco usando a embreagem analógica do seu Logitech G25).

Experimentei esse último ontem. Os gráficos são OK (no mesmo nível de outros simuladores sérios como GTR2), a simulação é deliciosa, mas infelizmente o código de force feedback no volante deixa muito a desejar: em GTR2 ou GT Legends você sente a textura do asfalto no force feedback (dá pra saber a altura da zebra pelo tranco, por exemplo), e o controle de tração e ABS fazem o volante vibrar do jeito característico. No Live For Speed o force feedback praticamente só serve pra fazer o volante girar conforme a força aplicada no carro (centrar numa curva, ou resistir pro lado certo num drift).

Image:Live for Speed FBMW Patch Y.jpg

Mais sobre simuladores de corrida pra adultos.

Mais sobre o Live For Speed.

Jeanne D’Arc Tactics

Tuesday, February 26th, 2008

Os clichês afeminados dos jogos da Square me cansam. Muito. Tentei jogar “Valkyrie Profile: Lenneth” para PSP e achei tão chato que apaguei depois de poucas horas, e fui procurar outra coisa (já estava com 40 horas de “Dungeon Maker: Hunting Grounds” e não tinha mais saco pra ele).
Aí peguei o maravilhoso Jeanne D’Arc. É um Final Fantasy Tactics com gráficos cell shaded e história feita por ocidentais (ou seja, apesar de ter toda a cuteness e os clichês de RPGs japoneses não é tão chato quanto as bobagens pretensiosas da Square). Já estou com dez horas de jogo e estou adorando, e olha que eu achei um saco o FFT de PS1 e de GBA - ao ponto de
sequer querer  ver o de PSP.

UPDATE:

Elogiei cedo demais. O jogo é realmente excelente, mas peca exatamente como o Vagrant Story (da Square). Eu joguei muito e bem, assim cheguei ao último estágio bem rápido, só que meus personagens todos tem muito pouca experiência (XP) para vencer o último boss, e nem dá pra voltar ao world map acumular mais - o último save point que o jogo dá é mais de duas horas antes do final.
É a desgraça de jogo para vagabundo desocupado. Tenho certeza de que tem um monte de adolescente espinhento que jogaria over and over again até subir o nível de todo mundo, mas não tenho saco nem tempo pra isso.
O engraçado é que é o terceiro no mesmo estilo que jogo inteiro no hospital, e que paro no último boss pela mesma razão: Vagrant Story, Puzzle Quest: Challenge of the Overlords, Dungeon Maker: Hunting Grounds e Jeanne D’Arc. O único que terminei foi o Metroid: Zero Mission, de GBA, quando *eu* era o internado no CTI… :-)

Emulador de Sega Saturn para Dreamcast

Tuesday, January 29th, 2008

Acabei de testar no Linux (tem versões para Windows e Mac OS X também) o Yabause, um novo emulador de Sega Saturn, open-source (GPL).

Bastou baixar e rodar o .package (que é um auto-installer) do site. A única dependência de que ele reclamou eu resolvi com

sudo apt-get install libgtkglext1

Aqui no Ubuntu rodou o lendário Radiant Silvergun perfeitinho, mas lento (20 fps). O SSF, outro emulador para Windows, roda esse jogo full speed, e acho que sei o porquê: o Yabause não é multi-thread (ele estava usando 100% de apenas um dos meus cores), enquanto o SSF é. Além disso, acredito que o SSF use instruções vetoriais (SSE) para otimizar código, e não vi nada no Yabause que sugerisse isso (provavelmente porque é todo em C, portável).

O mais interessante é que estão fazendo uma versão dele para Dreamcast (o que é bem natural, já que o processador SH4 do DC é bem parecido com o SH3 do Saturn). Não testei ainda (preguiça de gravar CD e ligar o Dreamcast na TV), mas pelo que vi nos screenshots parece que já funciona o básico (dá boot e mostra menus). O mais provável é empacar por falta de RAM, ou ficar tremendamente lento pelo fato do código não ser otimizado, mas já é algo interessante. Lembro-me de ter conversado bastante com o Arnon (que escreveu um emulador de MSX para Dreamcast) sobre emular Saturn no DC, na época em que saíram jogos como o Virtua Cop (que parece um jogo de Saturn rodando no DC, sem mexer nada).

E por falar em emuladores da Sega, uma conseqüência legal do progresso dos emuladores de Dreamcast - especialmente os totalmente open-source - é que finalmente vamos poder emular em casa as máquinas Naomi (que são Dreamcasts on steroids, com mais RAM). Eu particularmente gostaria de ver um emulador de Ferrari F-355 Challenge de arcade, com três monitores e câmbio manual com embreagem (usando o Logitech G25 ?), e também de jogar Planet Harrier, a continuação de Space Harrier que foi prometida para o Dreamcast mas que acabou só saindo nos arcades. Já apareceram alguns screenshots de versões ainda não lançadas com jogos de Naomi, em breve devem estar disponíveis.

Nova carta do autor de “Em Busca dos Tesouros”

Saturday, January 26th, 2008

O Matusalém, da lista TKCP, escreveu para o Tadeu Curinga da Silva, autor do Em Busca dos Tesouros, e ele respondeu com mais uma longa carta. :-)

Nessa ele descreve o seu primeiro programa em assembly Z80 e fala do estado de fluxo que dava nas longas sessões de programação.

Para terminar, tem algumas páginas de artwork inédita do EBdT - incluindo personagens que ficaram de fora do jogo por limitações de memória. Justamente por isso, ao invés de transcrever a carta, como fiz com as outras, coloquei on-line as imagens da original, escrita à mão.

Tudo no site do Em Busca dos Tesouros: http://muriloq.com/ebdt

Emulador de Dreamcast full speed, com som

Saturday, January 5th, 2008

Uêba.

Como se não bastasse poder jogar ficar feliz emulando um Playstation 2, Nintendo DS e Sega Saturn, resolvi testar o nullDC, o novo emulador de Dreamcast. Coisa fina: 60 frames por segundo, com som (meio tosco ainda, entretanto), gráficos perfeitos.

Já que testei o emulador de Saturn com Radiant Silvergun e o de Playstation 2 com Gradius V, é natural testar o de Dreamcast com o magnífico Ikaruga (os screenshots não são meus, mas aqui está a mesma coisa):

Ikaruga emulado no nullDC

Também testei outras coisas, como Rival Schools. Cheguei a abrir o impagável Typing of the Dead, mas o plugin ainda não emula o teclado de Dreamcast! :-)

Drives comuns de PC não lêem GD-ROM (a mídia original do Dreamcast), logo o emulador não funciona com eles, só com imagens ou CD-ROM self-boot gravado. Para rodar no Windows Vista é preciso executar o emulador como administrador (como no pcsx2, de Playstation 2 - por causa da forma como se acessa a RAM do computador).

A BIOS do Dreamcast, junto com o emulador, você encontra aqui: NullDCBios.zip

Outro screenshot para vocês perceberem o poder do negócio:

Soul Calibur emulado pelo nullDC

Para os testes eu usei um Core 2 Duo E4300 1.8 GHz com 2 GB de RAM e GeForce 8600 GT 256 MB DDR3.

Emulador de Nintendo DS full speed, com som

Friday, December 28th, 2007

Empolgado com a emulação de PS2 (joguei Gradius V por uma hora hoje, no PC), resolvi experimentar a emulação de Nintendo DS.

Recentemente o No$GBA passou a emular o DS, inclusive o subsistema 3D (usando OpenGL ou por software). A versão mais recente, 2.6, custa US$ 2.50.

Rodei aqui, full speed (60 fps sem frameskip), com som, sem problema algum, o Contra 4 e o Castlevania: Dawn of Sorrow. Ambos são 2D. As duas telas funcionam, e a stylus também (emulada com o mouse). Pro Contra 4 eu precisei mudar o tipo do save game (para EEPROM).

Pra testar a emulação do hardware 3D, rodei o Mario Kart DS. Rodou tranqüilo também, apesar dos gráficos serem vagabundos feito os de Nintendo 64. O som ficou um pouquinho chiado.

Infelizmente, o The Legend of Zelda: The Phantom Hourglass ainda fica meio porco. Funciona, mas com graphic glitches (dá pra ver as arestas dos polígonos) e com uma framerate baixa demais às vezes.

De qualquer forma, é esperar um pouco, parece ser uma questão de meses termos DS emulado certinho. E não é só o NO$GBA que anda bem, parece que os outros (como o iDeaS) tão correndo atrás também.

Emulador de Playstation 2 perfeito, full speed, com som

Friday, December 28th, 2007

Olha só, demorou mas parece que a emulação decente de Playstation 2 está finalmente chegando.
Acabei de rodar o último PCSX2 aqui, o 0.9.4. Usei o plugin GSDX 0.1.0, que usa aceleração 3D (DirectX 9 ou 10). O disco é uma imagem MDS/MDF (Alcohol 120%) montada com o Daemon Tools (também testei com um disco original de PS2, funcionou).

Habilitei todas os truques sujos do emulador - ele usa SSE2 e emulação multi-thread. Meu computador é um Core 2 Duo E4300 1.8 GHz, com 2 GB de RAM DDR-2 533, GeForce 8600 GT com 256 MB DDR3.

Está rodando o Gradius V de PS2 aqui, com som e imagem perfeitos, a 107% da velocidade (às vezes cai um pouco, com a tela cheia). Totalmente jogável!

Tem uma compatibility list aqui:
http://www.pcsx2.net/compat.php

Call of Duty 4: Modern Warfare

Friday, December 28th, 2007

Terminei durante o fim-de-semana o Call of Duty 4… CARALHO. Eu não sou fã de First-Person Shooter. Não jogo Halo nem passei pela fase Counter Strike. Desprezo jogos multiplayer-only. Com um history mode bom o suficiente eu até supero meu asco e jogo, feliz da vida, como fiz, por exemplo, com Half-Life 2 (ou mesmo Doom 3) - mas o roteiro fraco é o que me faz não curtir Halo, por exemplo.

Não é de se estranhar, então, que eu tenha adorado Peter Jackson’s King Kong, e que eu goste muito da série Call of Duty. A narrativa do jogo é tão boa que em pouco tempo você *conhece* os personagens do seu pelotão. Você se preocupa com eles, se diverte quando fazem algo inusitado. E a trama que se desenrola ao longo de cada episódio é tão boa quanto a de qualquer filme de guerra, e em alguns casos, melhor. Eu achava que parte da culpa era a ambientação na Segunda Guerra mundial; o sujeito tem que ser bem incompetente para não conseguir fazer uma história dramática. E a suspensão de descrença é perfeita - especialmente depois que você assiste aos extras do DVD, com velhinhos veteranos contando histórias ainda mais fantásticas do as do jogo.

Isso me deixava com medo: o CoD 4 é “Modern Warfare”, o primeiro jogo da série contemporâneo. Você joga com os British commandos da S.A.S. (Special Air Service) ou com os U.S. Marine Corps, contra ultranacionalistas da ex-União Soviética e fundamentalistas religiosos islâmicos - inimigos tão bons quanto os nazistas da WWII. Os cenários são, principalmente, a Rússia e Bagdá (com uma fase sniper maravilhosa em Chernobyl, em 1985), mas o prólogo acontece num navio cargueiro durante uma tempestade (e o final da fase é algo que mostra a que o jogo veio, nos primeiros dez minutos).
O Lazzeri me avisou que no meio do jogo havia a cena mais impressionante que ele já tinha visto num videogame. Eu fui sabendo que viria algo GRANDE, e ainda assim arrepiei os cabelos da nuca. É dramático e chocante, e visualmente é fantástico. Falo mais no próximo parágrafo, mas contém spoilers, por isso está com letras brancas (selecione o texto para ler):

A fase se chama “Shock and Awe” - é o final da operação americana em Bagdá. Depois um combate frenético, seu pelotão está indo embora de helicóptero, quando o helicóptero de suporte (um Cobra) é abatido por um RPG. A piloto sobrevive, e você desce para buscá-la, e só têm dois minutos pra isso. Com ela nos ombros e tiros de AK-47 passando a centímetros da cabeça, você chega no helicóptero, que decola enquanto você ouve notícias sobre uma possível ameaça nuclear. Você respira aliviado depois do stress do resgate, e olha no horizonte o caos instaurado na cidade. E então vem o Shock and Awe: uma explosão nuclear. Enquanto o cogumelo sobe, a onda de choque destrói tudo no caminho, inclusive o seu helicóptero, que cai.

A cutscene fala do ataque nuclear, perpetrado num gesto suicida pelo líder separatista encurralado no palácio. Na tela, corre uma lista com centenas de nomes soldados mortos. No meio delas, você vê o nome do seu personagem. Alguns segundos depois, uma janela se abre e diz que você sobreviveu! A nova fase começa dentro dos destroços do helicóptero. Sua visão está turva com fuligem e sangue. Você consegue se arrastar para fora do helicóptero, lentamente. Caído no chão do lado de fora, torvelinhos de fumaça e poeira rodopiam na sua frente, enquanto você vê ao longe prédios incendiados ruírem com o próprio peso. Tudo é vermelho e amarelo, parecendo um pôr-do-sol em Marte (ou no Inferno). Você cambaleia por mais alguns metros, vendo a destruição, e por um momento pensa “putz, como é que vou sair daqui ?”. Com mais dois passo você cai morto no chão, e as informações por satélite incluem mais um Killed In Action na lista.
Tem um vídeo aqui, mas na resolução do YouTube não tem tanta graça: http://www.youtube.com/watch?v=r2S3N0uSSho (cuidado, SPOILERS)

E isso é a metade do jogo! Eu fiquei completamente embasbacado - e tão obcecado que terminei o jogo pouco depois. Um tour de force - havia muito tempo que não me sentia assim durante um jogo (ou filme, ou livro, ou algo que o valha).