Januário é o maior de ONDE ?
Tuesday, September 23rd, 2008Forró, sanfona, Youtube e Google Maps
“Respeita Januário” é um grande clássico da música nordestina. É gostosa, divertida, contagiante - Gonzagão fazendo o que sabia de melhor - e desde criança, sempre que encontro um ultracrepidário, eu não resisto e respondo: “Luí, respeita Januário!”:
Aqui dá pra ouvir com o Dominguinhos e Lenine:
Já nesse vídeo, bem mais longo, o Gonzagão conta a história toda: de como ele fugiu de casa, virou artista, e quando voltou, pronto pra contar vantagem das suas proezas com a sanfona, aprendeu a ser mais humilde:
Mas antes de fazer bonito de passagem por Granito
Foram logo me dizendo:
“De Itaboca à Rancharia, de Salgueiro à Bodocó, Januário é omaior!”
E foi aí que me falou mei’ zangado o véi Jacó:
“Luí” respeita Januário
“Luí” respeita Januário
“Luí”, tu pode ser famoso, mas teu pai é mais tinhoso
E com ele ninguém vai, “Luí”
Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai!
Duas coisas me deixavam encucado quando era moleque e ouvia essa música na roça: a primeira é o que são “os oito baixo do teu pai“, que foi fácil de descobrir: é uma sanfona que, ao invés dos 120 botões (baixos) da sanfona moderna, só tem oito, e justamente por isso é muitíssimo mais difícil de tocar bem, e hoje em dia é raríssima:
A outra coisa que me deixava com a pulga atrás da orelha era saber afinal de contas qual era o lugar em que Januário era o melhor músico. Eu perguntei pros outros, procurei em atlas, e até conseguia achar Rancharia (em São Paulo) e Salgueiro (em Pernambuco), mas não fazia muito sentido. As minhas primeiras consultas ao Google Maps, há alguns anos, foram - pasmem - Itaboca, Rancharia, Salgueiro, Bodocó. E continuava sem encontrar onde eram os domínios do Januário.
A resposta eu acabei de descobrir, hoje!
Suspeitei (nem sei bem porquê) que talvez nomes estivessem errados na letra da música. E, de fato, não é Itaboca, é Tabocas. E existe um outro município de Rancharia, muito menor que a cidade em São Paulo, em Pernambuco… Com um pouco de paciência, acabei descobrindo o que chamei de “o polígono de Januário”: